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Participa e ação: 2º Seminário Est. Participação – Direito Humano de Crianças e Adolescentes | AMENCAR
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Participa e ação: 2º Seminário Est. Participação – Direito Humano de Crianças e Adolescentes

 

Participar: fazer saber, comunicar, informar; tomar parte em, compartilhar; ter parte em, partilhar; apresentar natureza, qualidades ou traços comuns; ser parte de.  O dicionário nos ensina que participar significa isso, ser parte de algo. Mas, participar de algo também é ser protagonista.

Dentro da história a juventude sempre esteve presente nas lutas. Porém nos últimos anos, o protagonismo dos/as jovens tem aumentado. Um exemplo foi em junho de 2013. Mais recentemente o que surpreendeu no ano passado, foi a luta dos/as adolescentes secundaristas contra a reorganização escolar em São Paulo.

No meio desse contexto surge o Projeto Promoção do Protagonismo de Crianças e Adolescentes RS, que vem sendo realizado pela Amencar desde 2014. A iniciativa busca trabalhar a autonomia de crianças e adolescentes de forma a incentivar a participação em diferente áreas sociais. Instigando a participação, por exemplo, nos Conselhos Municipais, Estadual e Nacional na busca pela garantia das políticas públicas voltadas a crianças e adolescentes.

Na última quinta-feira, dia 21 de janeiro, aconteceu o 2º Seminário Estadual: Participação – Direito Humano de Crianças e Adolescentes, em Porto Alegre. A atividade foi realizada pela Amencar/RS, com o apoio da Rede Marista. O encontro durou o dia inteiro e teve parte de sua programação dentro Fórum Social Temático que aconteceu em Porto Alegre.

Neste ano o tema do FST foi “Paz, democracia, direitos dos povos e do planeta”. Desta forma, o seminário foi um momento importante para o debate sobre os Desafios da Garantia de Direitos Humanos de Crianças, Adolescentes e Jovens. Pela manhã, a roda de conversa impulsionada por esse tema, debateu a situação dos/as crianças, adolescentes e jovens negros/as em situação de vulnerabilidade.

Estiveram presentes representantes do CONJUVE, da Anistia Internacional, do Observatório de Juventudes da PUCRS, entre outros. A representação dos/as adolescentes foi feita pela jovem Carol Aguiar, de 17 anos, dando seu depoimento enquanto mulher, adolescente e negra. Ela faz parte do projeto Promoção do Protagonismo de Crianças e Adolescentes da AMENCAR.

Durante a tarde a mesa foi composta somente por jovens e adolescentes. Estiveram representados a Pastoral da Juventude Marista, o Grêmio Estudantil do Instituto Federal Campus Porto Alegre, o G38 da Comissão Organizadora do CONANDA, além de adolescentes representantes do projeto.

A Roda de Conversa teve o intuito de trazer experiências vivências pelos/as jovens e adolescentes, a partir do olhar de como era visto o Direito à Participação de Crianças e Adolescentes. Entre os relatos foi trazido a questão da organização escolar e como a lógica da educação tradicional pode ser sufocante diante da criatividade e imaginação das crianças e adolescentes.

Durante as falas, Ezequiel Sena, deu seu depoimento a respeito do zine, chamado “A Gazeta do Oprimido” que ele elaborou na escola. A ideia do zine era pra que fosse uma forma de diálogo entre os/as alunos/as e a direção da escola. “Quando eu mostrei pros alunos, eles não gostaram. É como se fosse uma banalidade da opressão”, contou Zeca, como também é chamado. Nesse sentido, ele conta que por os/as alunos/as estarem tanto tempo acostumados/as com o sistema escolar, acabam por não verem formas de mudarem ele. “Os alunos não conseguem enxergar outra forma de dispor aquelas coisas. Então eles estão acostumados . Eles não pensam em outras oportunidades de melhoras  mais horizontais”, enfatizou.

Ezequiel Sena tem 14 anos e é de Brasília. Ele faz parte do G38 da Comissão Organizadora do CONANDA e veio à Porto Alegre participar do Seminário. Além dele, Patrick Costa também veio de fora do RS para o Seminário. Patrick também faz parte do G38, representando o estado de Minas Gerais. Ele é de Belo Horizonte e durante a roda de conversa, trouxe alguns pontos falando sobre as dificuldades de comunicação dentro do CONANDA.

Além deles, na mesa de debate, estiveram presentes outras e outros adolescentes contando suas experiências em relação à participação. Otávio Tinoco, de 17 anos, representante do Grêmio Estudantil da IFRS, contou algumas histórias e afirmou a importância de “ver o Grêmio Estudantil como uma ferramenta de luta para pautas dentro e fora da escola”.

Januária Moraes, de 13 anos, contou sobre a participação no Projeto da AMENCAR. Ela contou como foram suas experiências e como a partir dos espaços de debate, dentro do projeto, começaram os questionamentos em relação de “Por que crianças e adolescentes não tinham cadeira nos Conselhos de Crianças e Adolescentes?”. A partir disso, ela conta que houve alteração na lei que rege os conselhos, garantindo uma cadeira para a participação dos/as adolescentes, mas, que apesar disso, as coisas ainda não mudaram.

Entre outros relatos durante a tarde. No encerramento, Patrick chamou a atenção sobre a importância desses espaços, no sentido de saber como outros lugares estão na mesma luta. Os/as adolescentes agradeceram o espaço, chamando atenção da importância da mobilização. Zeca Sena declamou um poema escrito por ele sobre a situação da escola:

 

 

A canção da escola (Zeca Sena)

 

Eu nunca vi o sol nascer quadrado

Mas eu o vejo assim seis horas por dia:

confinado entre quatro paredes concretas, maciças

 

a frente, eu vejo guerras;

vejo retas abcissas;

vejo um mapa visiográfico

e doenças mortais.

 

vejo orações e mais orações;

vejo liberdade, vejo condições;

vejo elogios e reclamações;

vejo a verdade, e vejo ilusões.

 

são três rounds: três sinais;

no primeiro, nocaute;

no segundo, jamais;

 

está tudo perfeito e seguro até

um barulho surdo ensurdecer nossos ouvidos surdos

a desfazer a paz silenciosa feita do barulho incessante no ar

 

tocam minhas costas, como a me empurrar:

acabou a ilusão, é hora de entrar;

voltar a minha cela azul, e a meus

companheiros de prisão;

 

um carcereiro tenta me empurrar informação;

e é uma tortura!

querem me forçar

a pesquisar

a projetar

a criar… !

 

quero produzir teatro!

– tenho que fazer trabalho;

quero compor um poema!

– tenho que fazer dever;

penso numa melodia!

– seminário no outro dia;

no skate, eu quero andar!

– QUERIA EXPLODIR ESSE LUGAR!

 

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